Levantamento revela que o casal adquiriu 17 propriedades, com compras recentes em Brasília e São Paulo quitadas à vista, coincidindo com a expansão da banca de advocacia de Viviane Barci de Moraes.


Desde que assumiu sua cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2017, indicado pelo então presidente Michel Temer, a trajetória do ministro Alexandre de Moraes tem sido marcada por decisões centrais na política nacional. No entanto, para além dos holofotes do plenário, um levantamento detalhado realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo revela uma evolução significativa na esfera privada: o patrimônio imobiliário do ministro e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, cresceu impressionantes 266% em nove anos.

Os números são vultosos. O que em 2017 era um conjunto de 12 imóveis avaliados em R$ 8,6 milhões, transformou-se, em 2026, em um império de 17 propriedades que totalizam R$ 31,5 milhões. Esse salto patrimonial não apenas reflete a valorização do mercado, mas evidencia um agressivo ciclo de investimentos realizado pelo casal, especialmente nos últimos cinco anos, onde o aporte em novos bens superou a casa dos R$ 23 milhões.

A Metamorfose dos Números: De 2017 a 2026

Para entender a magnitude desse crescimento, é preciso olhar para o ponto de partida. Quando Moraes deixou o Ministério da Justiça para compor a mais alta corte do país, seu patrimônio era sólido, mas consideravelmente menor se comparado ao atual. A tabela abaixo ilustra a evolução reportada pelos registros de cartório:

Indicador Março de 2017 Abril de 2026 Variação (%)
Quantidade de Imóveis 12 17 +41%
Valor Total Estimado R$ 8,6 milhões R$ 31,5 milhões +266%

O dado mais contundente do levantamento aponta que, nos últimos cinco anos, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões na aquisição de imóveis. Este valor representa mais de dois terços de todo o investimento imobiliário realizado pela família ao longo de quase três décadas de vida pública e profissional.

Mansão no Lago Sul e Pagamentos via Pix

Entre as aquisições que compõem esse novo patamar financeiro, destacam-se propriedades de alto luxo em localizações privilegiadas. Em agosto de 2025, o casal adquiriu uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, em Brasília, uma das áreas mais valorizadas e exclusivas da capital federal. O valor da transação foi de R$ 12 milhões, pagos integralmente à vista.

Já no início de 2026, a movimentação continuou em solo paulista. Um apartamento de 86 metros quadrados no Jardim Paulista, em São Paulo, foi incorporado ao patrimônio por R$ 1,05 milhão. A forma de pagamento chamou a atenção pela celeridade e modernidade:

De acordo com os registros, R$ 166 mil foram pagos como sinal em 23 de fevereiro. Pouco menos de duas semanas depois, em 9 de março, o saldo remanescente de R$ 883 mil foi quitado em uma única transação via Pix.

Lex Instituto: O Braço Patrimonial da Família

A maior parte dessas transações não ocorre diretamente no nome de pessoa física do ministro, mas sim através do Lex Instituto de Estudos Jurídicos. Esta empresa funciona como uma holding familiar para administrar os bens e o patrimônio acumulado.

Embora Alexandre de Moraes não figure formalmente como sócio da empresa — que é composta por sua esposa, Viviane, e pelos dois filhos do casal —, a natureza do regime de bens do casamento (comunhão parcial) vincula legalmente o crescimento da empresa ao patrimônio comum do ministro. Essa estrutura é comum entre grandes investidores para fins de planejamento sucessório e tributário, mas no contexto de um magistrado do STF, atrai olhares sobre a origem e o volume dos fluxos financeiros.

A Ascensão do Escritório Barci de Moraes e o Contrato de R$ 129 Milhões

O crescimento patrimonial do casal coincide cronologicamente com a expansão robusta do escritório Barci de Moraes Advogados, liderado por Viviane Barci de Moraes. A banca ampliou consideravelmente sua capilaridade em Brasília, adquirindo inclusive uma nova sala comercial na capital neste ano por R$ 350 mil.

Entretanto, o ponto de maior debate público nos últimos meses envolve a revelação de um contrato vultoso entre o escritório e o Banco Master. Segundo informações divulgadas, o contrato previa o pagamento de R$ 129 milhões por serviços de compliance e assessoria em direito criminal.

Em nota oficial, a banca de Viviane Barci esclareceu os detalhes da prestação de serviço:

  • Período: Fevereiro de 2024 a novembro de 2025.
  • Remuneração Mensal: Aproximadamente R$ 3,6 milhões.
  • Escopo: Consultoria técnica e jurídica especializada.

Embora a atividade de advocacia seja privada e legítima, o volume dos honorários e a posição ocupada pelo cônjuge da advogada no STF geram discussões éticas frequentes nos círculos jurídicos sobre possíveis conflitos de interesse, ainda que não haja proibição legal direta para o exercício da profissão por esposas de ministros, desde que não atuem diretamente na Corte em processos sob relatoria do marido.

O Silêncio dos Envolvidos e a Opinião Pública

Procurados pela reportagem do Estadão para comentar a evolução patrimonial e os detalhes das aquisições imobiliárias, tanto o ministro Alexandre de Moraes quanto a advogada Viviane Barci de Moraes optaram por não se manifestar.

Esse aumento de 266% no patrimônio ocorre em um momento de extrema polarização política, onde a vida financeira de figuras públicas é escrutinada minuciosamente por diversos setores da sociedade. Analistas apontam que, embora o sucesso profissional de Viviane na advocacia privada possa justificar os ganhos, a velocidade da acumulação de bens em imóveis — tradicionalmente usados como reserva de valor — coloca o casal em um patamar financeiro de elite, mesmo para os padrões do alto funcionalismo público brasileiro.

Conclusão

A revelação dos 17 imóveis e dos R$ 31,5 milhões em bens consolida a imagem de um casal que soube converter sucesso acadêmico e jurídico em solidez financeira. Contudo, a natureza das compras “à vista” e a conexão com contratos milionários de grandes instituições financeiras garantem que o tema continuará na pauta do debate sobre transparência e ética no Judiciário brasileiro.

Nota Editorial: As informações aqui contidas baseiam-se em registros públicos de cartórios de imóveis de São Paulo e do Distrito Federal, conforme apurado originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.